Irapé: a catedral tecnológica e a supressão de uma paisagem  

Márcio Santos

Em 2002 a Companhia Energética de Minas Gerais – Cemig – deu início, mediante a formação de um consórcio de construtoras, às obras civis para a construção da barragem de Irapé, localizada no alto Jequitinhonha. Em 2003 houve o desvio do rio e o início da construção efetiva da barragem, que terá 205 metros de altura, cifra que a coloca, segundo Fábio Gonçalves, gerente administrativo financeiro do Consórcio Construtor Irapé, como a barragem mais alta do Brasil. O enchimento do reservatório, que se iniciaria em novembro de 2004, foi atrasado devido a impasses no processo de reassentamento das famílias que residem na área inundável.

Compõem o Consórcio Construtor Irapé as empresas Andrade Gutierrez, Norberto Odebrecht, Ivaí Engenharia de Obras e Hchtief do Brasil. A empresa Voith Siemens é responsável pelo fornecimento e montagem de material eletromecânico. O investimento previsto é de 580 milhões de reais. O reservatório terá 137 Km2 de área e possibilitará a geração de 360 MW de energia.

Localização Usina de Irapé
  
Fotos: www.usinadeirape.com.br

O alagamento resultante atingirá núcleos urbanos e áreas rurais numa extensão de 115 quilômetros do Rio Jequitinhonha e de 50 quilômetros de um dos seus afluentes, o Itacambiruçu. Um total de 754 famílias, ou 3.564 pessoas, residentes em 47 comunidades ribeirinhas, em áreas dos municípios mineiros de Berilo, José Gonçalves de Minas, Leme do Prado, Turmalina, Grão Mogol, Cristália e Botumirim, serão afetadas.

Fotos: Márcio Santos

Obras da barragem de Irapé-MG

“Quero aconselhar os que me lêem a não deixarem de visitar as obras de construção de Irapé. Seus olhos jamais verão cenas iguais. Elas serão incorporadas para sempre em sua retina e fixadas em sua lembrança. Para quem como eu tanto pelejou em favor dessa realização, enfrentando incompreensões e doestos malevolamente atirados contra mim, ir ao canteiro de obras foi um bálsamo para meu coração de homem do Jequitinhonha. A todo tempo da visita acorria em meu espírito o famoso apólogo. Estava certo de que todos tinham perfeita consciência e orgulho de estar participando da construção de uma grande catedral”. Assim percebeu Irapé, em agosto de 2003, um dos tradicionais políticos mineiros, o ex-senador Murilo Badaró. O propósito deste rápido artigo é refletir sobre os impactos socioculturais resultantes da desconstrução de uma paisagem e do patrimônio cultural a ela associado, estabelecendo uma dicotomia entre a catedral da tecnologia entrevista pelo ex-senador e os signos culturais forjados pela ocupação secular da região.

O reservatório de Irapé ocupará uma região formada por comunidades tradicionais, dedicadas majoritariamente às atividades agropecuárias. São lavradores, roceiros, vaqueiros e cortadores de cana. Em segundo lugar, numa posição quantitativamente bem distante dos trabalhadores rurais, aparecem os pequenos comerciantes; os pequenos garimpeiros de diamante, ouro e cristal; os trabalhadores domésticos; e os que trabalham em estabelecimentos industriais ligados aos recursos naturais da região, tais como fábricas de farinha, de cachaça, de rapadura, de doces e de telhas. Pouco menos de dois terços das famílias afetadas pelo empreendimento residem na área rural; o restante se distribui pelos povoados da região, nenhum dos quais chega a ter duas centenas de habitantes.

O acentuado ruralismo da paisagem foi, desde o período colonial, uma das marcas da ocupação humana dessa região. No século XVIII e em parte do seguinte o território integrava o termo de Minas Novas, sediado na vila de Nossa Senhora do Bom Sucesso das Minas Novas do Araçuaí e formado a partir da mineração aurífera e diamantífera, cujos registros mais antigos na região datam do ano de 1727. O influxo urbanizador que gerou os núcleos de Minas Novas (atual cidade de mesmo nome), Piedade (Turmalina), Chapada (Chapada do Norte), Água Suja (Berilo) e Sucuriú (Francisco Badaró) não chegou a atingir a área onde estará o reservatório de Irapé. No seu mapa da capitania das Minas Gerais, de 1778, José Joaquim da Rocha não registra nenhum núcleo urbano nessa área específica. A ocupação luso-brasileira de maior expressão parece ter se restringido, no século XVIII, a dois registros, o da Conceição e o de Simão Vieira, ambos na margem direita do Jequitinhonha, o primeiro no caminho que, cruzando o rio, ligava Minas Novas a Itacambira e conectava as regiões mineradoras a leste e a oeste do vale.

De toda forma, a ocupação luso-brasileira da região iniciou-se a partir do garimpo de diamantes, realizado principalmente na serra de Santo Antônio, nas proximidades do Rio Itacambiruçu. Um documento de 1781 já se refere à presença, nessa região, de centenas de garimpeiros clandestinos, que mineravam num dos córregos afluentes do rio e na própria serra.

Essa primeira leva mineradora deve ter provocado a expulsão, ou a dizimação, das populações indígenas que ocupavam a região, sobre as quais pouco se sabe. Entre os 61 sítios arqueológicos registrados na área diretamente afetada pelo reservatório, pelo menos sete são seguramente anteriores à chegada dos povoadores luso-brasileiros. Os demais, já do período colonial, incluem, entre outros, abrigos sob rocha, vestígios de fazendas, vestígios de atividade mineradora e um cemitério.

Em 1818, no seu trajeto entre o Tejuco (atual cidade de Diamantina) e Minas Novas, Spix e Martius encontraram um grupo de botocudos, que descreveram como indivíduos de “cor de canela clara, de altura mediana, estatura baixinha, pescoço curto, olhos pequenos, nariz curto achatado e lábios grossos”. É possível que essas populações já descendessem dos primeiros ocupantes da região, que deixaram os registros pictóricos e o material lítico e cerâmico encontrado no projeto de pesquisa arqueológica da área a ser inundada por Irapé.

Localizada num espaço distante dos centros econômicos coloniais, num território fronteiriço cuja jurisdição político-administrativa oscilou entre as capitanias das Minas Gerais e da Bahia, representou também essa região zona de fuga para quilombolas e índios fugidos à perseguição luso-brasileira. A comunidade de Porto dos Coris, hoje um lugarejo de 86 habitantes, formou-se a partir do estabelecimento de escravos fugidos no local, liderados pela família do escravo Germano. Foi ele o responsável pela aquisição das terras locais, tendo para isso poupado recursos recebidos nos dias de trabalho livre, que conseguia mesclar com os dias de trabalho compulsório. Inicialmente, era o lugarejo conhecido como Boa Sorte.

Morador mais antigo de Porto dos Coris

Com a decadência da mineração de diamantes, a região transitou para o perfil econômico agropecuário que apresenta atualmente. Quer seja na atividade garimpeira, quer seja no plantio e criação, a ocupação humana tem aproveitado e interagido com a fisionomia natural do alto Jequitinhonha. Topograficamente, a região pode ser caracterizada como uma combinação de serras, chapadas e vales de rios. As chapadas se destacam no meio das serras como grandes extensões de terrenos planos e elevados, pouco férteis e com escassas fontes de água. Spix e Martius identificaram a maior dessas chapadas, que ocupa, segundo os naturalistas, “todo o espaço do território, entre dois rios diamantíferos, o Jequitinhonha, a oeste, e o Araçuaí, a leste”. Nas serranias e chapadas, que estão inseridas no domínio geológico da Serra do Espinhaço, há pouca atividade humana, reservando-se para esses espaços a extração mineral ou a pastagem comunitária.

Os vales dos rios e córregos formam as grotas, compostas por áreas úmidas e frescas próximas dos cursos hídricos. Nesses espaços, aponta Flávia Maria Galizoni, os agricultores assentam boa parte das suas unidades de produção – casas e quintais, roças e mangas (pastagens cercadas e plantadas).

No Plano de Controle Ambiental elaborado sob a coordenação da Cemig, a fisionomia natural da área de influência de Irapé é assim descrita: “A área de influência da UHE Irapé localiza-se, principalmente, no domínio do cerrado sensu lato [sic], enquanto seu limite leste faz contato com área de transição para caatinga [...]. É dotada de cadeias montanhosas e afloramentos rochosos quartzíticos (que atingem até 1.400 m de altitude), além de chapadas de exuberante beleza cênica, as quais confrontam com o encaixado vale do Rio Jequitinhonha. As íngremes drenagens e encostas das chapadas exibem reduzido uso e ocupação humana, possibilitando uma extensa e contínua cobertura vegetal nativa, diferenciada em: formações florestais [...], arbustivas [...] e campestres”. Quanto ao clima, a região do empreendimento localiza-se em área de transição entre os regimes quente semi-árido de influência continental e quente sub-úmido de influência marítima, ambos de regime tropical.

Galizoni observou a intensa relação de continuidade entre o meio e a ocupação humana, por meio da qual os lavradores do alto Jequitinhonha aprenderam a perceber “o espaço a partir de categorias resultantes de experiências de várias gerações, estabelecendo uma divisão espacial e, concomitantemente, distinguindo os usos possíveis”. O uso da terra forjou regionalmente uma tipologia, por meio da qual são classificados os terrenos da região. As terras que a população identifica como de culturas, correspondentes às formações florestais, são as mais propícias ao plantio, por estarem próximas dos cursos hídricos; nas caatingas, localizadas nas cabeceiras dos córregos, são plantadas espécies rústicas, como a mandioca, o abacaxi e, algumas vezes, o café; nos campos ou carrascos, impróprios para a lavoura, predominam capins, arbustos e árvores nativas. Vê-se que a classificação popular coincide, essencialmente, com a observação científica, conotando cada tipo de terreno com o valor que tem a partir da prática agrícola.

Esse padrão cultural de interação com o meio, que inclui, ao longo dos séculos de ocupação humana da região, mecanismos lentos de adaptação e de transformação da sua fisionomia natural, permite colocar as populações ribeirinhas do alto Jequitinhonha entre as sociedades tradicionais. Segundo Giddens, nessas sociedades o passado é venerado e os símbolos são valorizados porque contêm e perpetuam a experiência de gerações. A tradição é um meio de lidar com o tempo e o espaço, inserindo qualquer atividade ou experiência particular na continuidade do passado, presente e futuro, os quais, por sua vez, são estruturados por práticas sociais recorrentes.

Festa religiosa popular, em Canabrava - Turmalina

Um dos mecanismos culturais mais ricos na lida com o tempo e o espaço no alto Jequitinhonha é a religiosidade popular. Na localidade de Canabrava, localizada na área inundável pelo reservatório, ainda se pode acompanhar uma missa, celebrada num rústico galpão, e a procissão e a festa religiosa que se seguem, realizadas na margem do Rio Jequitinhonha. No povoado de Peixe Cru encontra-se uma edificação de significativo valor cultural, a Capela do Senhor Bom Jesus do Peixe Cru. Construída em posição dominante, isolada sobre uma elevação ao fundo do largo que constitui o lugarejo, a capela é um exemplar típico da arquitetura mineira tradicional de cunho popular.

O conjunto desses elementos – mecanismos de adaptação e transformação do meio, técnicas de plantio e de extração mineral, formas de vivência comunitária, formas de expressão religiosa, artística e simbólica – forma o patrimônio cultural das comunidades do alto Jequitinhonha. Os elementos materiais e imateriais de expressão dessa sociedade tradicional ganham, assim, a qualidade de bens culturais.

Capela - Capela do Senhor Bom Jesus do Peixe Cru, em Peixe Cru - Turmalina

Como se viu, essas formas culturais foram engendradas e modificadas no curso da lida do homem com o meio. Num ritmo lento, novas técnicas econômicas e novas formas de expressão simbólica foram introduzidas, reunindo elementos trazidos pelos diversos grupos étnicos e sociais que formaram a população local – grupos indígenas jê; quilombolas; exploradores, entradistas e bandeirantes nordestinos, paulistas e reinóis; pequenos garimpeiros; agricultores.

A característica tradicional dessa sociedade permite situar o seu território como uma sucessão de paisagens, que retratam os distintos momentos da história da ocupação humana do alto Jequitinhonha. Ao contrário dos territórios ocupados por sociedades modernas, em que os elementos de paisagens passadas são rapidamente suprimidos, atualizados ou ressignificados, o território das comunidades ribeirinhas do alto Jequitinhonha mantém vivos e atuantes muitos dos elementos que contribuíram para a formação histórica da região. O garimpo manual, em que se empregam alavancas, pás, cavadeiras, enxadas, garfos, peneiras e bateias; o sistema tradicional de plantio e criação, que utiliza a coivara, o rodízio de terras, a pastagem comunitária; a localização das unidades produtivas nas margens dos cursos hídricos; as expressões materiais e imateriais da religiosidade são elementos da paisagem colonial que se transmitiram para a paisagem contemporânea do território. Também o são os padrões construtivos das edificações, com paredes de pau-a-pique ou adobe, forros de palha, telhas de cerâmica, utensílios de barro. A essa paisagem se sobrepõem outras, em que aparecem elementos exclusivamente contemporâneos, tais como equipamentos, artefatos mecânicos, veículos motorizados, construções de alvenaria. Como pano de fundo, permanece a paisagem primordial de populações humanas que aprenderam a habitar os vales e as encostas úmidas, abaixo das serranias e chapadas. Num ritmo lento, essas sucessivas paisagens se sobrepõem e se intercambiam, configurando o território na forma com a qual se apresenta hoje.

Paisagem do Vale do Jequitinhonha

O alagamento de parte dessa região imporá, de maneira súbita, o que se pode chamar de supressão da paisagem. O território habitado, tanto nos seus elementos mais antigos, quanto nas suas formas contemporâneas, será, de maneira irreversível e total, ocupado pelas águas do reservatório, ação que desfará a dinâmica atual das paisagens e instaurará uma nova e ainda desconhecida configuração territorial da região. Samuel Branco e Aristides Rocha assim descrevem alguns dos impactos dos reservatórios sobre a paisagem: “Os lagos artificiais dão uma imagem nova e diferente à paisagem. Mesmo quando o desmatamento é feito com cuidado, no local abrangido pela faixa de oscilação do nível do reservatório, sempre permanece o aspecto de natureza morta. Às vezes, as novas margens se tornam pantanosas, podendo se constituir em focos de vetores de doenças endêmicas. [...] Aliado à presença da represa e da nova paisagem criada, em certas regiões, é implantado o turismo [...]. Surgem clubes náuticos, que se estabelecem em suas margens, bem como casas de veraneio. Às vezes, criam-se animais aquáticos e semi-aquáticos, e pratica-se a pesca recreativa”. Algumas vezes, pode-se completar, a diminuição do nível das águas do reservatório provoca um efeito inusitado: reaparecem vestígios dos elementos naturais e das estruturas humanas do passado. Essa paisagem emersa pode ser observada, por exemplo, na área ocupada pela antiga cidade de Remanso, onde hoje está o reservatório de Sobradinho, no médio São Francisco. Na nova paisagem destacam-se uma das paredes de sustentação do altar da igreja e os restos das árvores que adornavam o que teria sido a rua principal do lugar, elementos que, voltando à tona, ganham forte expressividade imagética e simbólica.

Uma característica a ser sublinhada é a de que a supressão da paisagem se dá de maneira abrupta, rompendo a dinâmica lenta da sucessão de paisagens. Populações são removidas, laços socioculturais são rompidos, bens culturais materiais e imateriais são desfeitos. A superfície plácida de um lago artificial, que, no caso de Irapé, inundará tudo o que estiver abaixo de 550 metros de altitude, passa a ocupar o espaço que antes era de rios, córregos, nascentes, chapadas, formações vegetais, lavouras, povoados, casas, igrejas. Em alguns meses, prazo de enchimento do reservatório, ocorre a supressão de uma paisagem que se vinha construindo ao longo de séculos de ocupação humana – aliás, os efeitos dessa supressão, pode-se dizer, iniciam-se antes mesmo do enchimento, já que a anunciada remoção dos lavradores interrompe os cultivos algum tempo antes do reassentamento das famílias.

Por exigência legal, um minucioso plano de salvamento do patrimônio cultural foi elaborado e desenvolvido pela Cemig na área a ser ocupada por Irapé. Sítios arqueológicos foram identificados e documentados, a capela de Peixe Cru será reconstruída no local a ser ocupado pela comunidade, um centro de memória abrigará, ao lado da represa, bens e registros culturais das populações atingidas. Essas iniciativas, no entanto, não recriarão os elementos basilares da paisagem sociocultural da região inundada, construídos a partir de uma íntima relação do homem com o meio no alto Jequitinhonha. A construção da barragem de Irapé representará a edificação de uma catedral tecnológica, sob a qual submergirão para sempre os elementos materiais e imateriais que produziram, na região, um determinado modo de vida e de expressão simbólica das populações que sucessivamente a habitaram.

Márcio Santos é mestre em história, pesquisador e coordenador do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Escola do Legislativo da Assembléia Legislativa de Minas Gerais.


Referências bibliográficas

ANDRADE, Soraia Maria de. O patrimônio histórico arqueológico de Serra da Mesa: a construção de uma nova paisagem. 2002. 266 f. Tese (doutorado em geografia) ? Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

BADARÓ, Murilo. “Sonho e realidade”. Estado de Minas, 19 de agosto de 2003, p. 9.

BARBOSA, Waldemar de Almeida. Dicionário Histórico-Geográfico de Minas Gerais. Belo Horizonte, Rio de Janeiro: Editora Itatiaia, 1995.

BRANCO, Samuel M.; ROCHA, Aristides A. Poluição, proteção e usos múltiplos de represas. São Paulo: Nobel; Brasília: INL, 1983. Apud ANDRADE, Soraia Maria de. O patrimônio histórico arqueológico de Serra da Mesa: a construção de uma nova paisagem. 2002. 266 f. Tese (doutorado em geografia), Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2002.

CENTRAIS ELÉTRICAS DE MINAS GERAIS Cemig. Usina hidrelétrica de Irapé: plano de controle ambiental. [S.l]: Cemig, novembro de 2001. 5 tomos, 18 volumes. Plano.

GALIZONI, Flávia Maria. A terra construída : família, trabalho, ambiente e migrações no Alto Jequitinhonha, Minas Gerais. 2000. 92 fl. Dissertação (mestrado em antropologia social) ? Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2000.

GIDDENS, Anthony. Consecuencias de la modernidad. Madrid: Alianza, 1990.

ROCHA, José Joaquim da. Geografia histórica da Capitania de Minas Gerais. Descrição geográfica, topográfica, histórica e política da Capitania de Minas Gerais. Memória histórica da Capitania de Minas Gerais (1788). Belo Horizonte: Fundação João Pinheiro, Centro de Estudos Históricos e Culturais, 1995.

SANTOS, Márcio. Expedição Jequitinhonha : Relatório. Belo Horizonte: Assembléia Legislativa de Minas Gerais, 2004. Disponível em http://www.almg.gov.br/bancoconhecimento/Monografias/Relatorio%20Jequitinhonha.pdf. Acesso em: 31 jan. 2005.

SANTOS, Milton. A natureza do espaço: técnica e tempo; razão e emoção. São Paulo: Hucitec, 1999.

SPIX, Johann Baptist von [e Martius]. Viagem pelo Brasil : 1817-1820. Belo Horizonte: Editora Itatiaia; São Paulo: Ed. da Universidade de São Paulo, 1981. v. 2.

 

Governo do Estado inaugura usina hidrelétrica no Vale do Jequitinhonha

GRÃO MOGOL (08/06/06) – O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, inaugurou hoje, no Vale do Jequitinhonha, a Usina Hidrelétrica Presidente Juscelino Kubitschek (Irapé), a maior obra da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) da atualidade. A usina, que também é o maior empreendimento já realizado no Vale do Jequitinhonha, uma das regiões mais carentes do país, recebeu investimentos de R$ 1 bilhão e tem capacidade para atender 1 milhão de pessoas.

“É um momento único na vida dessa região. A usina de Irapé significa desenvolvimento para os vales (Jequitinhonha e Mucuri), desenvolvimento para o Norte do Estado. Os investimentos maiores do governo têm de continuar vindo para o Vale do Jequitinhonha, do Mucuri e para o Norte de Minas, como no Proacesso (pavimentação de estradas), o Pro-Hosp (desenvolvimento de hospitais), como na área de segurança e agora através destes investimentos”, afirmou o governador.

A usina de Irapé foi construída no rio Jequitinhonha. Com capacidade para gerar 360 megawatts, a usina beneficiará diretamente dez municípios, que somam uma população de 132 mil pessoas. São eles: Turmalina, Leme do Prado, José Gonçalves de Minas, Berilo, na margem direita, e Grão Mogol, Cristália e Botumirim, na margem esquerda. Outros municípios que recebem sua influência são Araçuaí, Virgem da Lapa e Josenópolis.

Do total investido, o Governo de Minas participou com cerca de R$ 120 milhões, o restante são investimentos próprios da Cemig. Os recursos aportados pelo Estado foram fundamentais para que Irapé executasse um inédito programa de remanejamento da população ribeirinha. Irapé começou a ser construída em abril de 2002 e foi responsável pela geração de 12 mil empregos diretos e indiretos, durante sua execução.

Agência de Desenvolvimento

Durante a solenidade de inauguração da nova usina, o governador ressaltou que o empreendimento contribuirá para a atração de novos investimentos para a região. Uma agência de desenvolvimento está sendo criada pelo Instituto de Desenvolvimento Integrado (Indi) e pelo Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG).

Aécio Neves disse que o Governo do Estado já estuda medidas adequadas para criar condições à instalação de novas empresas no Vale do Jequitinhonha e, desta forma, fazer uso efetivo da energia gerada em Irapé. “O que nós queremos a partir dessa nova inauguração da hidrelétrica de Irapé é nos articularmos junto com as lideranças políticas e empresariais mineiras para que tenhamos um projeto de desenvolvimento para esta região. Não adianta apenas gerarmos energia. Energia é o combustível, é o insumo, mas, a partir de agora, vamos nos articular para que novos empreendimentos possam vir para esta região, gerando renda, emprego e uma qualidade melhor de vida para a nossa gente do Vale”, afirmou.

ICMS

Ao lado do ex-presidente Itamar Franco e da filha do ex-presidente JK, Maristela Kubitschek, o governador Aécio Neves acionou a sirene que deu partida no funcionamento da primeira máquina de geração de energia. Em seguida, ele destacou os projetos realizados pelo Estado na região e garantiu que os sete municípios da área de abrangência da usina serão imediatamente beneficiados com a arrecadação de impostos.

“Atendendo a uma reivindicação antiga dessa região, estou determinando à Secretaria de Planejamento que todo o ICMS gerado por este empreendimento seja, integralmente, aplicado nesta região, em saúde, educação, em segurança pública, em questões ambientais. É uma forma de nós avançarmos na consolidação da marca maior do nosso projeto de governo, que é a integração das várias Minas”, completou.

A partir da geração de energia, os municípios terão direito a recursos da Compensação Financeira pela Utilização de Recursos Hídricos (CFURH), os chamados royalties, da ordem de R$ 3 milhões anuais. E estes municípios ainda se beneficiarão com o aumento na base de cálculo do ICMS de cerca de R$ 123 milhões anuais, o que representa aumento expressivo na arrecadação de impostos no caixa das prefeituras da região.

Turismo

A hidrelétrica de Irapé vai permitir regularizar a vazão do rio Jequitinhonha nos períodos de cheia e estiagem e aumentar a oferta de energia elétrica para a região, criando condições para a atração de novos projetos industriais e agrícolas.

A formação do lago também cria uma opção de negócios no setor de turismo no entorno dos 137 km2 do reservatório. Indústrias de outros setores serão atraídas pelas oferta de energia.

A usina de Irapé dispõe de três máquinas de 120 MW cada. A previsão é de que as outras duas entrem em funcionamento a partir de agosto e outubro deste ano.

A usina tem a barragem mais alta do país e a segunda da América Latina, com 208 metros. Por estar situada em local distante dos grandes centros e em um cânion, a obra teve que superar inúmeros desafios em termos de logística e de engenharia.

O enchimento do reservatório de Irapé foi iniciado em dezembro passado, após a Cemig ter obtido a Licença de Operação do Copam. Atualmente, o lago já acumula em torno de 2,88 bilhões de m3 de água, o que representa cerca de 49% do volume total.

Com a entrada em operação da Usina de Irapé, a Cemig passará a contar com um parque gerador de energia que reúne 55 usinas. São 50 hidrelétricas, quatro termelétricas e uma eólica. Líder em eficiência e geração de energia em todo o país, a Cemig destinará R$ 5 bilhões para ampliar e melhorar a oferta de energia aos mineiros entre 2003 e 2006. É o maior investimento de toda a sua história. Apenas em geração, transmissão e distribuição de energia, estão sendo investidos R$ 1,3 bilhão em 2006.

Reassentamentos

A Cemig realizou o reassentamento de cerca de 660 famílias em 103 fazendas. Foram adquiridos 60 mil hectares de terras e cada família recebeu entre 40 e 60 hectares em média. Os reassentamentos são dotados de toda infra-estrutura, como energia, rede de água, sistema telefônico, construção e melhoria de acessos.

Em suas novas terras, as famílias tiveram suas casas reconstruídas e foram indenizadas em dinheiro pelas demais benfeitorias. Os reassentados receberam ainda verba de manutenção e fomento, terão os lotes titulados, correção de solo, sementes e mudas para as primeiras safras e estão recebendo assistência técnica da Emater, que somará um total de oito anos. Foram criadas 28 associações de reassentamento em 17 municípios da região.

Agência Minas
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Rio Jequitinhonha

17/07/2008 - 02:18Apolinário Moreira

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O nome do rio Jequitinhonha se originou do nome da cidade e o termo, na linguagem indígena

O Rio Jequitinhonha é um rio brasileiro que banha os estados de Minas Gerais e da Bahia.

Ele nasce na região da cidade de Serro, atravessa o nordeste do Estado de Minas Gerais e deságua no Oceano Atlântico, em Belmonte, no estado da Bahia. Percorre uma das regiões mais pobres do Brasil e do mundo, denominada Vale do Jequitinhonha. O Vale, apesar de ser uma das regiões mais pobres do Brasil, abriga uma cultura peculiar, que se releva nas manifestações populares únicas, ligadas aos mitos da natureza, à navegação e às lenda; e se manifestam no rico artesanato de barro, nas expressões musicais e folclóricas.

O nome do rio Jequitinhonha se originou do nome da cidade e o termo, na linguagem indígena, quer dizer: no Jequi tem onha[carece de fontes?] (ou seja, no Jequi tem peixe, usados pelos indios botocudos, que habitaram a região, na confluência com o rio São Miguel.

No período colonial o rio era conhecido como Rio das Virgens.

Atualmente foram construídas no Rio Jequitinhonha duas grandes barragens, que são:

    * Barragem de Itapebí, no Sul da Bahia
    * Barragem de Irapé, localizada no município de Leliveldia/MG, com 205 metros de altura, considerada a barragem mais alta do Brasil, e que vai alavancar o progresso do vale.

Fonte:Wikipédia, a enciclopédia livre.