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Diz a tradição deste município que, por volta de 1842, chegou às terras onde hoje se acha localizada a cidade de Bom Jesus de Itabapoana, em busca de terrenos virgens adaptáveis aos tratos agrícolas, o mineiro Antônio José da Silva Nenem. Ele procedia de Bom Jesus da Vista Alegre, lugarejo de Minas Gerais, de onde trouxe, em sua companhia, a esposa, dois filhos e alguns empregados, desde logo se dedicando ao desbravamento do local, construindo moradia e fazendo plantações.

Campo Alegre foi o primeiro nome dado à povoação nascente, em homenagem a Vista Alegre que, para trás, o pioneiro deixara. Mais tarde, como pelas proximidades passasse o Rio Itabapoana, foi mudada novamente, agora para Bom Jesus do Itabapoana, em recordação ao lugarejo de Minas, Bom Jesus da Vista Alegre, terra natal de Antônio José da Silva Nenem.

Com o decorrer dos anos, forte corrente imigratória para lá se dirigiu, constituída quase toda de conterrâneos dos primitivos povoadores. É ainda a tradição que nos dá notícia da existência de tribos indígenas em terras do atual território do município, não propriamente no local onde hoje se encontra sua sede, mas a 15 quilômetros de distância, mais ao menos nas vertentes da Serra do Tardin. Essas tribos, segundo informes locais, subsistiram ali até meados de 1850.

O elemento negro foi introduzido pelos que imigravam, atraídos pela perspectiva de explorar a terra fértil. O escravo, com o trabalho persistente e barato, representou papel primordial na evolução da agricultura e na economia local. Em 1853, com a Lei Imperial de nº 636, foi criada a Freguesia de Novas Senhoras da Natividade do Carangola, no dia 19 de março de 1856, ante a necessidade de um policiamento mais acentuado, o Conselheiro Luiz Antônio, Presidente da Província, resolveu criar uma sub-delegacia de polícia no novo Arraial do Bom Jesus.

Em 1862, o arraial já apresentava grandes progressos.   Muito importante foi, sem dúvida, o Decreto nº 1.261, de 14 de novembro de 1862, que estabeleceu: "Art.1º - O Arraial do Senhor Bom Jesus, na Freguesia de Nossa Senhora da Natividade, no município de Campos, fica com predicado de Freguesia com a inovação do "Senhor Bom Jesus do Itabapoana".

Por força do Decreto nº 2.810, de 24 de novembro de 1885, Bom Jesus do Itabapoana passou à jurisdição do município de Itaperuna, criado nesta data e por este Decreto. Em 24 de novembro de 1890, já no período republicano, a freguesia foi elevada à categoria de município, em virtude do progresso que em suas terras se observava por essa época. O Decreto nº 150, desta data, rezava: "Fica criado o município de Bom Jesus do Itabapoana, com os atuais limites tendo por sede a povoação de Bom Jesus de Itabapoana, com a denominação de Vila de Itabapoana".

Apenas dois anos vigoraram os termos deste Decreto, pois, em 8 de maio de 1892, um outro Decreto,  de nº 1 foi lavrado, suprimindo os municípios de Itabapoana, Monte Verde e Natividade do Carangola. Data desse tempo a campanha de reivindicação encabeçada pelos elementos de maior influência na região. Entre os que mais se bateram por essa causa, são dignos de menção os nomes de Francisco Teixeira de Oliveira, João Catarino, Jerônimo Batista Tavares e Pedro Gonçalves da Silva. Finalmente, depois de uma luta política cheia de vigor, foi reconquistada a autonomia de Bom Jesus do Itabapoana, em virtude do Decreto nº 633, de 14 de novembro de 1938, tendo a instalação do município verificada a 1º de janeiro de 1939.

Até hoje, o município de Bom Jesus de Itabapoana conserva quase todos os costumes e tradições dos seus antepassados, oriundos de Minas Gerais. Com a chegada da família Teixeira de Siqueira, procedente de Portugal, por volta do ano de 1780, marcava-se o início das festas do Divino Espírito Santo, em maio de 1863.

A eles, devemos a tradição da nossa festa. Eles receberam, das mãos da senhora Dona Felicíssima, em 1860, quando para cá vieram, as "Relíquias da Coroa e do Cetro do Divino Espírito Santo", chegadas de Portugal e conservadas, até aquela data, na casa da família, com autorização do Senhor Bispo de Mariana.

Com as relíquias, receberam da Dona Felicíssima a recomendação de trazê-las para a Fazenda da Barra (Barra do Pirapetinga) e, logo que possível, entregá-las à Igreja do Arraial, para aqui continuarem as devoções tradicionais: "sejam propagadores da devoção ao Divino Espírito Santo, continuem com as orações, novenários, visitas às casas de famílias e a Oratórios".

Obedecendo, os filhos trouxeram as relíquias para fazendo do Comendador Antônio Teixeira Siqueira e continuaram religiosamente a cumprir a devoção, com procissões entre as fazendas. Em cada fazenda, era mantido pela família um oratório onde se realizavam devoções e quaisquer cerimônias religiosas. Um destes, se conserva até hoje com a família do Sr. Ernesto Lumbreiras. Anualmente, eram escolhidos os Provedores da Festa.

Em 1863, estando o menino Pedro Teixeira Reis gravemente enfermo, seus pais, Joaquim Teixeira de Siqueira Reis e Dona Jovita Umbelina Teixeira (descendentes do casal Francisco e dona Felicíssima), prometeram ao Divino Espírito que, se o curasse, vesti-lo a caráter como Imperador do Guarda da Coroa e do Cetro.

Conseguindo a cura do menino, a promessa foi cumprida, tendo o pai do menino, Joaquim Teixeira de Siqueira Reis, ido comprar a roupa na corte. Lá, adquiriu a febre amarela, que então grassava. Voltou para casa e ainda assistiu à Festa do Divino, mas foi a primeira vítima da febre amarela na região.

Iniciou-se, desde então, a tradição de um Imperador da Guarda da Coroa e do Cedro, que se perpetuou enquanto durou a tradição da Festa do Divino Espírito Santo, isto é, até 1955, quando Jamil Figueiral Ribeiro foi o Imperador.

A tradição da Festa do Divino Espírito Santo foi interrompida em 1956, quando, tendo sido substituído o vigário de Bom Jesus, foi designado para seu lugar um outro Padre, que, discordando da festa, não permitiu mais a sua celebração. Assim, houve uma interrupção de 27 anos, havendo sido revivida a tradição no ano de 1983. Seu Imperador foi o menino Carlowe Vidaurre Nassif.

Sobre esta festa, disse o atual Vigário de Bom Jesus: "A coroa e o cetro do Divino Espírito Santo constituem as relíquias mais antigas da história e da fé da nossa terra e da nossa gente. Ignorá-las significaria o desconhecimento da força da fé que passa de geração em geração entre todos que temem o Senhor (Lucas I 50-55). Representaria não ser fiel às origens e às verdadeiras tradições da nossa terra e, sobretudo, não respeitar e não amar a nossa gente". Padre Paulo Pedro Seródio Garcia (descendente do casal Teixeira de Siqueira).

Perte integrante da história de Bom Jesus é o Padre Antônio Francisco de Mello, que chegou em Bom Jesus do Itabapoana, procedente da Ilha de São Miguel, em Portugal, no ano de 1899. Aqui permaneceu por quase meio século, vindo a falecer no dia 13 de agosto de 1947, em plena festa que ele tanto amava.

Padre zeloso e muito dedicado, vinha de outra civilização, da qual trazia grandes conhecimentos que em muito beneficiaram Bom Jesus. Ensinava, cantava e rezava com o povo, não se descuidava da educação religiosa do seu rebanho; por suas mãos, milhares de batizados e casamentos foram celebrados. Engenheiro, arquiteto, poeta e jornalista, deixou para todo o povo o símbolo do trabalho e o exemplo de dignidade humana.

Grande conhecedor da língua pátria, dono de rara sensibilidade, deixou vários poemas que são sempre lembrados, especialmente o que de mais perto fala o coração do bonjesuense: "Morrer Sonhando". Entendendo de matemática e engenharia, foi também o remodelador da Igreja Matriz, erguendo uma de suas torres em 1931, conservada até nossos dias e tida como arrojado feito de engenharia.

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